"Ela sorria. Andando com o canto da boca elevado, mesmo com a tarefa ardua de tentar se esquecer de lembranças boas. E então. POFT . Todo aquele esforço havia sido plenamente em vão. Ela sentira seu cheiro, mas não o via . Talvez ele de fato não estivesse ali e alguém tivesse tido a audacia de comprar o mesmo perfume o qual usava, fazendo-na perder o sentido, o sorriso. A máscara. Mas já havia acontecido, já estava vencida pelo cheiro que a lembrava um beijo doce, de um amor doloroso de despedida. Não, não adiatava mais forçar o sorriso, afinal as lágrimas já escorriam trazendo a saudade. Sentou-se na calçada, vendo seu próprio reflexo na poça de água a sua esquerda. Que ridícula, pensava. Esgotada, cansada de ser espancada por sentimentos, resolveu apenas se deixar levar, levantar e voltar o que estava fazendo. Andando e sorrindo.
"Ele me aperta como sempre, até que algum ossinho da minha coluna estale, e me diz, como sempre também: “Que é que você tem que eu sempre largo tudo e venho te ver?"
"Minha mãe sempre diz: Não há dor que dure para sempre! Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos! E apesar de saber de tudo isso. Porque algumas dores duram tanto?"